Em busca dos galhos perdidos

Para ler a postagem anterior, PARTE III, clique aqui.

Logo cedo, no dia da primeira fogueira, eu saía de bicicleta, percorria algumas ruas para coletar gravetos — aqueles pedacinhos de lascas de madeira colocados na base da fogueira para facilitar a ignição. Quando não, pegava alguns galhos destinados à fogueira e os quebrava em pedaços menores.

Quase sempre conseguíamos os galhos e troncos. Quando isso não era possível, meu avô recorria ao compadre, um velho carroceiro habilidoso na busca de lascas e troncos de madeira no mato, em áreas rurais. Ele, a égua e seus dois cachorros formavam uma equipe inseparável; além do ofício, eram também exímios caçadores.

E por falar em caça, lembro-me muito bem de uma época em que eu, meu pai e meu avô íamos caçar nambu com ele. Na minha idade, a arma era uma baladeira, com cinco pedrinhas guardadas numa bolsa de couro, um pequeno bornal. Saíamos antes mesmo de o galo cantar. Nosso transporte era a carroça, puxada por uma velha égua que soltava bufa constantemente. A gente partilhava aquele cheiro, suavizado pelo perfume do mato — mas essa é uma outra história.

Algumas vezes, o velho carroceiro buscava as madeiras nas proximidades da Lagoa do Bispo, onde hoje se localiza o supermercado Carrefour. Pois bem, de um jeito ou de outro, o combustível para as fogueiras sempre chegava a tempo.

Mas os preparativos juninos não terminavam ali. Garantida a lenha que alimentaria as fogueiras, era preciso cuidar do que alimentaria o povo.

O habilidoso negociador

Depois de superada a primeira missão, chegava a hora de comprar o milho. Essa tarefa geralmente cabia a meu tio, embora, vez por outra, fosse meu avô quem madrugasse rumo à Cobal.

Meu tio possuía um talento raro para negociar. Pechinchava com uma habilidade que beirava a arte e, se fosse preciso, até derramava algumas lágrimas estratégicas. No fim da conversa, o vendedor se sensibilizava: doava parte do milho; não duvido que em algum momento o vendedor tenha entregado alguns trocados ao meu tio, e, muito provavelmente, agradecido por ele ter, supostamente, escolhido comprar justamente em sua banca.

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