Aqui, na Mossoró do futuro, as instituições estão funcionando e as carteiradas também; como dizia a velha expressão: tudo como dantes no quartel de Abrantes.

É comum ver na cidade alguns cidadãos e cidadãs querendo se dar bem em tudo. São os oportunistas de plantão. Gente como essa fica à espreita, à espera de um trouxa, alguém desprevenido capaz de satisfazer a necessidade maléfica do enganador. Já falei sobre isso em duas outras postagens como Entre o otário e o esperto e Malandro versus troxa .

Tem um tipo que se utiliza de determinada posição social, ou de algum título, e acha que o mundo tem de girar ao seu redor. Vale-se da função que lhe foi concedida, ou das prerrogativas que a profissão oferece, para transgredir as próprias regras. São hipócritas protegidos pelo ofício que os salvaguarda.

O que vou relatar é sobre aquela que se diz servidora — ou melhor, servidora pública; mais especificamente, uma agente da polícia de trânsito da cidade. Foi assim que ela se identificou, em alto e bom som, quase gritando.

Estava à paisana e fora do horário de serviço, dentro de um veículo branco sem qualquer identificação da instituição em que, supostamente, trabalha. A senhora, que se apresentou como agente de trânsito, na verdade não reclamava da minha condução; estava apenas me dando uma carteirada.

No Brasil, a expressão “dar uma carteirada” é usada quando alguém tenta obter vantagem, privilégio, escapar de regras ou intimidar outras pessoas usando o cargo, a profissão, a autoridade ou a posição social que possui.

Na verdade, ela não poderia me autuar por diversos motivos, entre os quais, não estava errado em minha condução, ao contrário dela. Mas a falta de limites, e excesso de imoralidade, de alguns comprometem o convívio respeitoso entre cidadãos e cidadãs.

Até hoje espero a tal “multa” que tarde em aparecer, posto que a espera não é por medo (uso aquela máxima: quem não deve, não teme), mas por tentar descobrir como uma instituição pública consegue proteger índole desconexa da função e do cargo que exerce.

Pois bem, eis o relato do ocorrido:

No dia 13/05/2026, por volta das 6h46, trafegava pela via localizada por trás do SESI, no sentido João da Escócia/Frei Miguelinho, quando observei um veículo parado distante do acostamento, obstruindo parcialmente a faixa de circulação. O referido veículo, conduzido por uma senhora, encontrava-se realizando o desembarque de uma estudante, talvez filha da mesma, em frente à escola do SESI.

Ao tentar desviar do veículo parado para seguir pela via livre, essa estudante saiu repentinamente do automóvel e iniciou a travessia da rua fora da faixa de pedestres, aproximadamente a 4 metros da faixa sinalizada. Diante da situação, acionei a buzina de forma preventiva, com o objetivo de alertar a estudante e evitar possível acidente. A estudante interrompeu imediatamente a travessia, permitindo a continuidade do fluxo.

Em seguida, avancei alguns metros e parei em frente à escola, acionando o pisca-alerta, a fim de possibilitar a travessia segura de um pai e sua filha pela faixa de pedestres.

Após a passagem dos pedestres, retomei o percurso em direção à Rua Frei Miguelinho, vindo a parar em um semáforo fechado. Nesse momento, a senhora anteriormente mencionada aproximou-se e, de maneira ríspida, afirmou que o local era área escolar e que ela fazia parte do sistema do DETRAN, informando que iria me autuar.

Diante da abordagem, respondi que a conduta dela também não condizia com a de um agente de trânsito, tendo em vista que seu veículo permanecia parado em local inadequado, obstruindo o fluxo da via, além de permitir que a estudante realizasse a travessia fora da faixa de pedestres.