Estou na educação há bastante tempo — já ultrapasso os 24 anos — e, de alguns anos para cá, é a primeira vez que vejo minhas avaliações orais sobre a produção e a apresentação de slides serem classificadas por meus alunos como humilhação.

Explico:

Em anos anteriores, ao solicitar aos alunos a apresentação de trabalhos — os chamados seminários —, ao final de cada exposição eu costumava apresentar um parecer abordando diferentes aspectos: a postura durante a apresentação, o domínio do conteúdo, o tempo utilizado, a criatividade na elaboração dos slides, entre outros pontos relevantes.

Essa metodologia fazia com que alguns alunos me procurassem posteriormente para discutir possíveis caminhos para uma boa apresentação, como, por exemplo: a redução de textos em favor de maior impacto visual; o uso adequado de cores; a ideia de que cada slide deve contemplar apenas um conceito; a variação de ritmo; e o controle do tempo de exposição.

De alguns anos para cá — mais precisamente, nos últimos seis anos —, tenho observado uma mudança na forma como os alunos percebem esses apontamentos finais após cada seminário. O que antes era entendido como orientação formativa (ou, na visão do aluno, correção), hoje, por parte de alguns, tem sido interpretado como exposição ou até mesmo como humilhação.

O que aconteceu?

Se eu não mudei a forma como avalio os seminários, por que agora eles acham que estou humilhando ao fazer apontamentos específicos e gerais?

Os apontamentos feitos ao final das apresentações têm caráter formativo, voltados ao desenvolvimento de competências essenciais, e não à exposição ou desvalorização do estudante.

Percebo uma crescente dificuldade em lidar com processos mais longos de construção do conhecimento, como leitura aprofundada, organização de ideias e argumentação.

Os alunos estão transferindo o ato de pensar para uma máquina de processamento de dados e, com isso, deixando de lado as exigências próprias do aprender.

Estaríamos diante de uma geração menos disposta a enfrentar o esforço do pensar, ou de um modelo educacional que ainda não conseguiu dialogar com as novas formas de interação com o conhecimento?

Cabe à escola encontrar o equilíbrio: integrar as tecnologias sem abrir mão da formação crítica, reflexiva e autônoma.