Figura que vem aos poucos ganhando lugar importante como expoente da ciência contemporânea, um queniano de nacionalidade britânica – Richard Dawkins, zoólogo, etólogo, evolucionista (ou seja, biólogo especializado), professor da universidade de Oxford com passagem por diversas universidades de renome internacional, há tempos tece sua rede forte e cheia de argumentações de deixar cristãos, mulçumanos, judeus e budistas sem palavras para contrapor seu raciocínio.
Cientista gerado nas universidades da Inglaterra, ele vem fazendo pesquisas, participando de congressos e palestras, e dissecando as grandes religiões, suas teorias e seus “mestres”, padres, bispos, pastores, rabinos, etc, na obra “Deus um Delírio, 2007”.
O conteúdo total é bem mais bombástico que este simplório comentário. “Não é o bastante ver que um jardim é bonito sem ter que acreditar também que há fadas escondidas nele?” Assim Richard Dawkins, nos apresenta uma leitura simples e complexa.
Escritor com experiência, entrou na lista dos mais vendidos nos EUA e na Europa. Seu livro Deus um Delírio tornou-se um best-seller ao apresentar sua teoria. Na obra, mostra a visão darwiniana a qual é adepto e desnuda a visão de Deus equivocada e de religião que está presente na maioria das mentes humanas. E por que não dizer, da nossa província?!
E quando “morde” – considerado o pitbull da religião – é com críticas firmes, por apontar que estas são as principais expressões das superstições humanas. Fala-nos de fatos de bastidores que nos deixam estarrecidos: “O falecido rei dos belgas é candidato à santificação, por causa de sua posição sobre o aborto. Investigações sérias estão em andamento para descobrir se alguma cura milagrosa pode ser atribuída a preces destinadas a ele desde sua morte.” Pág. 91-92.
Ou seja, o rei era a favor do aborto.
Cita experiências sobre poder da oração que foram fracassadas, realizadas por fundamentalistas que estão presentes em nosso dia-dia. Outra onde um teólogo excêntrico realizou, nos Estados Unidos, separou três grupos de pessoas doentes. Porém somente um grupo sabia que havia pessoas rezando por elas. Os outros dois grupos não sabiam sobre a experiência. O resultado é que o número maior de mortos se deu justamente no grupo que sabia que havia pessoas rezando por elas.
Se você acha que a escrita de Dawkins é estridente, ele se defende apontando que a linguagem do teatro, cinema e da literatura são muito mais sibilantes. Conta-nos que alguns cientistas tiveram uma explicação de Deus realista e racional, como a de Albert Einstein.
Essa visão seria uma teoria possível. Contudo, o darwinista, desnorteia qualquer amante da religião. Observa que a natureza surgiu sem a necessidade de um ser superior. A evolução natural foi à responsável pela existência da vida e não o criacionismo.
Afirma que a vida na Terra existe por um acaso e não por causa da existência de um ser superior que vigia as ações e mentes de todas as pessoas, todas as horas. Compadece-se dos ateus que não emitem sua opinião e nos diz que a quantidade desses é maior do que se supõe. Por serem alvos de preconceitos, mantêm-se em silêncio, mesmo quando se afirma que se vive em um mundo com pessoas civilizadas e “tolerantes”.
O livro de Dan Brown, O Código de Da Vinci, é café pequeno se comparado ao de Dawkins. De forma segura, com inteligência argumentativa, observa os fatos evolucionistas – os quais são manipulados por políticos e religiosos.
Relata que a religião é usada como instrumento de dominação política. Destaca que “A imensa maioria dos homens intelectualmente eminentes não acredita na religião cristã, mas esconde esse fato do público porque tem medo de perder sua renda”, relembrando Bertrand Russell.
Em um congresso, organizado por uma instituição religiosa, onde foi convidado para participar e apresentou sua teoria principal, os 10 teólogos não souberam responder a questionamentos e críticas de sua teoria. Dawkins é ateísta, ceticista e humanista.
Muitos, na própria academia, por não deduzir a ligação entre religião e política, olha seu trabalho com desdém. Um biólogo que se mostra tão inteligente quanto teólogos, físicos, químicos, filósofos, sociólogos, etc. Dawkins é cientista que está ganhando espaço por “desvendar”, com estudo e pesquisa, combatendo o papel que a religião se presta na sociedade.
A possibilidade da existência de Deus existir é de 50%, de não existir é de 50% também. Ele fica com a segunda possibilidade, sem nenhum temor. Leia o livro e descubra a razão.
Por isso que Richard Dawkins é considerado o pitbull da religião. Quanto ao que se deve pensar ressaltamos a frase do poeta Mário Quintana: Se eu acredito em Deus? Mas que valor poderia ter minha resposta, afirmativa ou não? O que importa é saber se Deus acredita em mim.
Francisco Canindé Neres – Licenciado em Ciências Sociais
Extraído do blog de Carlos Santos.