Ultimamente, seguir regras em uma sociedade virou algo retrô, e é até motivo de piada. A pessoa passa a ser um ET diante de alguns grupos que se acham “espertos”. Aqueles que agem de acordo com as normas muitas vezes são vistos como ingênuos e chatos em alguns círculos sociais. A rebeldia, a quebra de regras e a irreverência são frequentemente glorificadas, enquanto a conformidade é relegada a um segundo plano. Esse fenômeno pode ser observado em várias esferas da vida cotidiana.
Situações como “furar” fila em banco, em supermercado, acessar streaming de modo pirata (segundo análise da empresa BB Media, no Brasil, 19% dos domicílios acessam TV paga de forma pirata), passar o semáforo fechado (na cidade onde resido, até quem deviria respeitar, policial, guarda de trânsito, para citar alguns exemplos, costuma avançar em cruzamento com semáforo fechado, ou mesmo fazer conversão indevida, mesmo sem estar com a viatura devidamente sinalizada: ligar o giroflex e/ou a sirene).
Desviar energia elétrica é outra ação ilegal que, em alguns casos, é vista como uma maneira inteligente de economizar dinheiro (aqueles que pagam suas contas regularmente podem ser vistos como ingênuos), enganar o dono da mercearia, o seu Joaquim, e tantas outras situações de menor ou maior grau.
Os que cometem tais infrações são considerados “espertos”, ou “inteligentes”, ou ainda, “modernos” (o dicionário classifica como malandros). Já os que tentam manter o mínimo respeito as normas são taxados de bobos, trouxas, lesados, ou ainda, otários.
Entendo que seguir regras, horários, e manter a atenção a pessoa ao lado, são formas de respeito ao outro e a si mesmo. Quando você se dispõe a não atrasar em um encontro, ou mesmo dizer a outra pessoa que vai ligar, e realmente ligar, ou ainda, ao propor uma conversa em um encontro e não ficar constantemente utilizando o celular (desde que seja estritamente necessário o uso), você está dizendo a pessoa que ela é especial e merece toda a atenção necessária.
Contudo, o tema da conformidade versus rebeldia na sociedade contemporânea, e como isso é percebido, é complexo e multifacetado. Desta forma, é possível propor uma tese em que aqueles que quebram as regras seja por revolta ante a uma civilização cada vez mais inclusiva onde o politicamente correto já dá as caras.
Para aprofundar a reflexão sobre essas questões, é interessante explorar algumas obras literárias que abordam a ideia de conformidade versus rebeldia e a maneira como a sociedade as perceber.
“1984” de George Orwell: Este clássico da ficção distópica explora um mundo onde a conformidade estrita com as regras do Estado é imposta a todos os cidadãos. A obra questiona o que acontece quando a rebeldia é suprimida completamente.
“Crime e Castigo” de Fiódor Dostoiévski: Neste romance, o personagem principal, Raskólnikov, quebra as regras sociais ao cometer um assassinato. A história examina as consequências de sua transgressão e como ele é percebido pela sociedade.
“O Apanhador no Campo de Centeio” de J.D. Salinger: O protagonista, Holden Caulfield, é frequentemente visto como um rebelde que se recusa a se conformar com as normas sociais. A obra examina sua luta contra a hipocrisia e a superficialidade da sociedade.
