Viver é ser artista — e dos bons, daqueles que improvisam sem ensaio. Viver exige arte, jogo de cintura e, de preferência, um pouco de coragem (ou muita, dependendo do dia). Viver é se arriscar: é entrar no palco sem saber se a plateia vai aplaudir ou pedir bis… de silêncio.
É nesse grande espetáculo chamado vida que colocamos nosso personagem — o artista — à prova, tropeçando, acertando e fingindo que tudo faz parte do roteiro. Ser feliz, no fim das contas, é saber viver com arte. E arte, convenhamos, exige consciência, movimento e uma boa dose de improviso.
Já dizia André Comte-Sponville que a felicidade não é um estado permanente, mas um processo: um movimento, um equilíbrio… só que meio capenga, desses que balançam. E talvez seja justamente aí o charme: ser feliz é se equilibrar sabendo que o desequilíbrio está logo ali, acenando.
Para não cair feio desse arame chamado existência, lanço mão dos meus utensílios de sobrevivência artística — minhas “marombas”, aquelas varas longas que os equilibristas usam para não beijar o chão. No meu caso, elas se chamam hobbies: pequenas alegrias, distrações salvadoras e excelentes desculpas para manter a sanidade enquanto sigo tentando viver com arte.
