
Sempre que a emoção bate à porta — seja trazendo boas notícias ou tempestades —, tento lembrar de uma velha máxima: modus in rebus. Há medida em tudo.
O problema é que a emoção raramente lê latim.
Mesmo assim, faço o ritual: abro a porta, deixo a emoção entrar e viro a vassoura de ponta-cabeça atrás dela, na esperança de que a visita não se empolgue e resolva passar a noite. Depois, pego meu japamala de 108 contas e repito modus in rebus com a solenidade de um monge…
Uma vez, um monge disse-me: “No começo, tudo é mais difícil, mas, com a prática, a coisa fica automática.”
Pois bem, para mim não ficou automático — porque não pratiquei, simples assim.
Manter o equilíbrio é difícil quando o coração acha que é atleta e a razão, uma aposentada.
Modus in rebus me lembra que nem a alegria precisa de fogos de artifício, nem a dor merece feriado prolongado.
Recitar a frase funciona como as pastilhas de freio ABS — reduz a velocidade da emoção sem causar travas danosas à mente). Modus in rebus são os freios dos meus impulsos, a pausa necessária antes do próximo passo. Porque, no fundo, viver também é aprender a dosar — palavra, gesto, sentimento.
