
A comunicação, entendida como o ‘fazer saber’, deveria ser a regra em qualquer conversa. Assim, sempre que houver possibilidade de interpretações diferentes do que foi exposto, cabe ao ouvinte, como interlocutor, manifestar-se de imediato. Ele deve dizer o que compreendeu, para que, ainda no decorrer do diálogo, eventuais dúvidas ou ambiguidades sejam prontamente esclarecidas.
Contudo, há interlocutores que não expõem de imediato o que compreenderam. Em vez disso, permanecem em silêncio, desconversam ou tentam escapar ‘pela esquerda’ ou ‘pela direita’ — como diria Pepe Legal, personagem de desenho animado que buscava se livrar de enrascadas.
O problema dessa estratégia, na qual chamo de pávida, é que ela apenas reforça o mal-entendido e impede o comunicador de esclarecer a tempo. Para piorar, quando o interlocutor finalmente decide se manifestar, já fora do contexto inicial, sua fala costuma vir carregada de julgamento, transbordando emoções e, muitas vezes, temperada com impropérios que mais obscurecem do que iluminam a conversa antiga.
Muitos interlocutores, ao evitarem uma conversa esclarecedora, perdem a oportunidade de conhecer o outro em sua verdadeira profundidade. Um diálogo íntimo — mais próximo, reservado e confidencial — favorece a criação de vínculos autênticos.
Um bom diálogo (leia-se diálogo esclarecedor) convida o interlocutor à sinceridade, à liberdade de expressar o que pensa e, nesse espaço de intimidade, tudo pode ficar finalmente esclarecido; evita-se, então, a explosão de sentimento tardiamente, fora de contexto.
A ausência de uma conversa sincera — sem a desconfiança de que o outro esteja forçando algo, criticando, cobrando, brigando — pode custar a perda de um bom amigo, de um companheiro ou de alguém de quem temos muita estima.
Para agravar, aquele que antes se sentia à vontade para falar passa a se calar, temendo ser mal interpretado e receando que suas palavras possam ser usadas como munição em momentos de raiva do interlocutor.
Desta forma, creio que a comunicação clara e sincera não é apenas uma habilidade social; é a base para relações verdadeiras e duradouras.
Evitar diálogos esclarecedores ou adiar manifestações de compreensão gera mal-entendidos, ressentimentos e, muitas vezes, o afastamento de quem nos é querido.
Por outro lado, cultivar a coragem de falar com honestidade e ouvir com atenção permite que o respeito e a sinceridade sejam a base do relacionamento digno de confiança e de laços fortes para que os vínculos se aprofundem.
