Participei, há algum tempo, de um Encontro Nacional de Yoga, no qual uma das palestrantes era a Monja Coen (Shingetsu Coen Rōshi), zen-budista brasileira e missionária oficial da tradição Sōto Zen, figura amplamente conhecida nos meios midiáticos do país.

A monja desenvolveu diferentes subtemas em torno do eixo principal, a qualidade de vida. Em sua fala, e ao utilizar-se de algumas metáforas, destacou que é preciso acolher cada lição que a vida semeia no caminho.
Não como quem se entrega inerte, mas como o bambu, que se inclina ao vento sem perder sua raiz, aceitando o instante tal como ele se revela.
Na época, a mensagem me soou ao mesmo tempo simplória e sábia; não me prendeu a atenção, tampouco despertou em mim emoção além da já presente naquele ambiente. Afinal, quase nada em minha vida parecia fora do lugar: eu estava exatamente onde havia escolhido estar.
Meu amadorismo, neófito naquela época, foi esquecer que aquele instante também fazia parte da frase, pois o aceitava de bom grado; e, afinal, é sempre fácil aceitar aquilo de que gostamos.
Atualmente a fala da monja ainda reverbera em minha mente, a utilizo todas as vezes em que me perco em certo caminho, ou fico em dúvida em qual caminho seguir quando aparecem bifurcações.
Lembro sempre do exemplo do bambu (a planta é símbolo de resiliência devido à sua notável capacidade de se curvar e se adaptar às adversidades, como ventos fortes e tempestades, sem quebrar), metáfora usada na fala da monja ao relatar alguns percalços em sua vida.
Vez ou outra, acho que ‘muitas vezes’ seria mais apropriado, assumi a firmeza e a flexibilidade do bambu. De início relutava, mas acabava cedendo na direção de, para depois voltar para meu ponto de ancoragem. A cada volta, tentava refazer o rumo, ou pegar outro caminho — embora este novo caminho trouxesse as suas bifurcações.
Agora, novamente, retomo as rédeas; volto ao meu ponto de ancoragem e entro em novo caminho, mais experiente, com “pé a trás”, cauteloso com certos eventos que a vida oferece.
Assim, redesenho a trilha e ausculto a distância; sondo a firmeza dos meus passos, provo a resistência dos calçados que me sustentam. Ergo o tronco como quem se oferece ao horizonte — e avanço.
